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sábado, 29 de setembro de 2012

Sisley Eau d'Ikar - Crítica

Já não se fazem muitos perfumes assim nos dias de hoje. Eau D'Ikar, da casa Sisley, é uma fragrância onde se verifica imediatamente a qualidade de se usar matérias-primas da melhor qualidade, dando primazia às substâncias naturais. Recebemos um frasco e ao experimentarmos ficámos logo surpreendidos pela diferença em relação ao quase anonimato da maioria dois lançamentos recentes. Aqui não se poupou dinheiro na concepção de um aroma novo. A originalidade é protagonizada por um arbusto bem presente nos países mediterrânicos, o lentisco. É a isto que cheira Eau d'Ikar do princípio ao fim. Nas notas de topo é ele que dá o pontapé de saída em aromas de verdes resinas associadas a bergamota, laranja amarga e limão. Nesta fase ainda nos parece um perfume masculino à antiga, clássico, de cítricos e muito verde. Mas depois tudo se transforma e entra em acção uma sensualidade ao mesmo tempo sofisticada e selvagem (sim, é um paradoxo). Lírio, jasmim e chá associam-se ao lentisco e a um cocktail de especiarias de uma forma muito particular que dá personalidade a este perfume e que não faz lembrar nenhum outro. De facto, nas marcas mainstream de perfumaria, o lentisco é muito pouco usado, sendo mais presente em marcas de nicho e mais exclusivas. Em Eau d'Ikar sentimos em simultâneo um travo amargo com alguma doçura, jogando sempre em contrários num resultado muito masculino mas que ficaria bem também em mulheres ousadas. Este poderia ser um perfume unissexo. E se começa em frescura, este perfume tem um acorde final mais carnal e sombrio. É, no entanto, um daqueles perfumes que fica junto à pele.

Apreciação global: ****
Durabilidade: ***
Projecção: ***

Sisley Eau D'Ikar



Um perfume de uma elegante simplicidade mas muito elaborado. De uma grande qualidade, rico em belas essências naturais. Construído em torno do Lentisco, arbusto das matas mediterrânicas e da Córsega. O lentisco é utilizado nas notas de topo, de coração e de fundo. No topo, a essência de lentisco verde, crocante e vivo, iluminado pelos frutos, Laranja amarga, Bergamota e Limão, Mas também sementes de Cenoura, para uma abertura cheia de frescura, efervescente e luminosa. O coração associa o absoluto de Lentisco com acordes florais e especiados, lírio, jasmim e chá orange pekoe, refrescado pelo Junco. Revela suavemente facetas inesperadas e quentes: couro, madeiras, especiarias… A nota de fundo muito masculina é poderosa e sedutora. O sombrio e profundo coração de Lentisco. Combina com as notas ambarinas e animais do cisto verde, outra planta do Mediterrâneo, e com as notas amadeiradas do sândalo e das raízes de vetiver.

Uma Eau de Toilette entre o céu e o mar. Um frasco obra de arte, símbolo de um mito revitalizado. Cristalino, límpido, esculpido na concavidade de uma asa abstracta, pura e transparente e de um busto de homem trabalhado na espessura do vidro. Uma obra de Bronislaw Krzysztof.