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quarta-feira, 13 de março de 2013

O EssênciaNews em entrevista à revista Perfumes & Companhia



Já está disponível nas perfumarias Perfumes & Companhia a última edição da revista onde o EssênciaNews deu uma entrevista, conduzida de forma exemplar por Sofia Sá da Bandeira. Obrigado à Perfumes & Companhia, à Pondera e à Sofia por esta oportunidade de darmos a conhecer quem somos e o que fazemos.

Edição online AQUI

sábado, 8 de dezembro de 2012

Entrevista com o perfumista Alberto Morillas

Alberto Morillas é um dos grandes nomes da perfumaria, tendo criado perfumes clássicos e contemporâneos que muitos deverão reconhecer. Acqua di Parma, Ana Salazar, Bvlgari, Calvin Klein, Carolina Herrera, Cartier, Custo Barcelona, Giorgio Armani, Givenchy, Kenzo... são imensas as marcas com quem trabalhou, sendo um nome incontornável desta indústria.

Quando o ouvimos falar em francês, temos dificuldade em adivinhar a sua origem espanhola (fala um francês perfeito). Pertencendo a uma geração de perfumistas em que se destacaram muitos franceses "filhos de Grasse", em que é que a sua origem espanhola influenciou as suas preferências olfativas ou o seu espírito criativo?

Embora tentando manter um certo grau de diversidade nas minhas criações, que são reflexo dos conceitos, das empresas e das pessoas que represento olfactivamente, tenho uma preferência por certos ingredientes que reflectem as minhas origens Andaluzas e que conferem frescura e vitalidade às fragrâncias. Como a salinidade mineral do ar, os citrinos, as pétalas das flores mediterrânicas que incluem o jasmim, a tuberosa, o neroli e os botões de laranjeira, nativos desta região; estes ingredientes recordam-me o sol e os longos verões.

Na sua infância ou juventude, imaginou a sua futura carreira como perfumista? O que é que determinou o seu percurso profissional e criativo?

Não! Em criança nem sabia que existia a profissão de Perfumista, só comecei a ouvir falar em Perfumaria quando vim estudar para Genebra e descobri também que havia um criador por trás de cada fragrância: li um artigo na Vogue onde o Jean Paul Guerlain explicava como criar uma fragrância; foi uma revelação para mim e decidi então o que queria fazer da minha vida. Depois de completada a École des Beaux Arts (Escola de Belas-Artes), entrei na Firmenich como Perfumista Júnior e recebi toda a formação na empresa; nessa época não existiam escolas independentes para perfumistas.

Quais foram as suas primeiras criações?

Ser bem sucedido como Perfumista é um longo processo que exige tempo, dedicação, trabalho duro e perseverança; as minhas criações para grandes marcas começaram em meados dos anos 80 e incluem alguns clássicos como Xeryus de Givenchy, Happy Diamond de Chopard, Panthère de Cartier, Byzance de Rochas and Le Must de Cartier II, de Cartier. É claro que antes disso já tinha começado a criar fragrâncias.




Entre as suas famosas criações, quais é que lhe deixaram memórias mais fortes?

ck one, uma co-criação com Harry Frémont como uma primeira interpretação de uma "água de colónia" fresca para o mercado dos E.U.A.. O seu conceito unissexo ou "de partilha" foi uma verdadeira inovação na forma como os consumidores encaravam as fragrâncias; até ao seu lançamento, as fragrâncias femininas e masculinas eram muito estereotipadas. ck one veio demolir muitas barreiras e continua a ter sucesso 18 anos após o seu lançamento.








Acqua di Giò (também uma co-criação) pela frescura mediterrânica duradoura que introduziu no mercado masculino.







Flower by Kenzo, pelo conceito abstracto da flor da papoila que consegui traduzir olfactivamente numa fragrância com forte identidade sem ser polarizadora e que agrada a consumidoras de todas as idades.

O que é para si um perfume requintado?

Uma fragrância requintada tem de ser construída com ingredientes de boa qualidade (sintéticos e naturais), bem equilibrados mas com algum carácter: pode ser expresso através de um ingrediente verdadeiramente único, ou uma leve sobredosagem de uma matéria, tornando-se memorável ou intrigante, algo que dá vontade de continuar a cheirar! E, naturalmente, tecnicamente tem de deixar um rasto e ter durabilidade.

Quando cria um perfume, imagina o frasco e a imagem exterior do perfume?

Às vezes tenho a sorte de ter essa informação no "briefing" que me fazem, mas isso é raro uma vez que o "packaging" é habitualmente a última parte da fragrância a ser finalizada, por isso limito-me a focar-me nas inspirações que me foram transmitidas e caso-as com as minhas próprias ideias sobre a marca. Embora certos ingredientes reflictam para mim uma cor e uma forma, isto é parte do meu processo criativo e tento focar-me nisso sem ser distraído por outros factores.

Além dos perfumes criados a pedido de clientes, imagino que com um "script" pré-definido, também cria perfumes só porque lhe apetece?

Como todos os artistas começo por criar para mim próprio, não para os outros. Tenho de acreditar na minha ideia/conceito antes de o partilhar ou propor num briefing. Estou sempre a criar novos acordes e ideias olfactivas, tudo pode ser fonte de inspiração: uma viagem, uma receita, um novo ingrediente sintético, música, emoções etc. Por vezes estes acordes acabam por entrar numa nova fragrância e, se não entram, mantêm-se no meu repertório de ideias. Além de criar fragrâncias a pedido para a minha marca própria Mizensir, também crio fragrâncias para pessoas que me são muito próximas, como a minha família.

Sabemos que criou os perfumes Custo Barcelona. Como é que foi a experiência de transformar em perfume o espírito de uma marca tão original e irreverente?
Trabalhar com a marca de Custo Dalmau é muito inspirador, tudo se joga em torno de cores, texturas e assinaturas fortes. A equipa de marketing que trabalha com Custo entende perfeitamente o ADN da marca e isto torna muito motivante trabalhar nestas fragrâncias.

Entrevista originalmente publicada na revista PERFUMES & COMPANHIA

domingo, 2 de dezembro de 2012

Michel Almairac e a criação de Zen para Shiseido


SHISEIDO ZEN

O Perfume . A sensação . A emoção

A dimensão solar do espírito Zen revela-se numa sensação de liberdade e de alegria, concentrada num perfume inédito.

O perfume Zen encarna a dualidade da harmonia cósmica própria do Zen. É a expressão radiante de uma alegria luminosa. É a evocação da serenidade e do entusiasmo, da sobriedade e do júbilo. Este novo Zen descodifica o paradoxo e concilia os contrastes, interpretando uma composição olfactiva numa sinfonia fresca e envolvente de flores, especiarias e madeiras.

Da meditação à expressão
O Zen descreve um universo simples e espiritual. No entanto, uma outra faceta do Zen levá-la-á para uma vida cheia de luz e alegria. Zen traz-lhe a sensação única de ser mulher.

As notas de cabeça frutadas, de ananás e de toranja conferem-lhe a frescura a que se associa a Rosa AzulAs notas de coração revelam a frescura a que se associa a suavidade da Rosa da ChinaAs notas de fundo constituem um delicado equilíbrio entre leveza e profundidade, combinando os acordes de incenso e especiarias orientais ao calor do patchouli, do almíscar e do âmbar.

O frasco Zen

Inspirado na geometria de um salão de chá japonês, o frasco de Zen representa a perfeição de um mundo em miniatura. De uma simplicidade requintada, o frasco evoca a cor do sol e as riquezas da terra. O ouro de Zen encanta, eleva e submerge a emoção.

ZEN – o significado do logo
Inspirando-se nos traços de um pincel desenhando a caligrafia japonesa, o logo simboliza todo o espírito Zen, evocando o movimento, o poder e a humanidade de um kanji (o instante da criação – quando a mão, a tinta e o papel comunicam num só impulso de energia).

Um perfume inesperado


Michel Almairac
Nascido em Grasse, no sul França, berço da perfumaria, Michel Almairac foi o criador do novo Zen. Explorando permanentemente novos territórios olfactivos, tem vindo a introduzir notas modernas nas estruturas clássicas dos perfumes. Conversámos com ele e entendemos que criar um perfume exige paixão, paciência, humildade e alguma hesitação.

Shiseido News – O que é que o entusiasmou ao fazer este perfume?
Michel Almairac – Foi a ideia de tornar actual um tema recorrente em Shiseido. Por definição, é um tema que corresponde a uma fórmula curta e simples. Ao tomar como base a filosofia do Zen, procurei a continuidade na modernidade.

S.N. – O que é que faz deste Zen um perfume inédito?
M.A. – Os seus próprios componentes. Uma flor que não existe... mas que é real – a Rosa Azul. A história remonta aos anos 80, quando alguém se lembrou de cruzar uma rosa japonesa com uma outra espécie de rosa. O resultado visual não entusiasmou, mas surpreendeu-nos a sua subtileza olfactiva que soubemos preservar...

S.N. – o que é que faz com que essa rosa seja única?
M.A. – O que a faz diferente é uma nota cítrica, que lhe confere um toque acidulado muito leve. Por outro lado, é isenta de um elemento comum às rosas tradicionais que lhes confere um carácter melado. A rosa azul revela que é possível manter sempre um perfume de rosa, sem esse lado adocicado. Quando sentir o aroma, vai perceber logo a diferença.

S.N. – Sabemos que há uma outra nota inédita, um novo Patchouli
M.A. – É verdade. Conseguimos retirar ao patchouli algumas das suas notas habituais, tais como as de palha húmida, de terra espessa, fazendo sobressair uma nota amadeirada muito elegante, com um toque de especiarias e uma tonalidade de trufa.

S.N. – Como é que define a mulher Zen?
M.A. – É uma mulher do nosso tempo, que está bem consigo própria. A nota de cabeça “efervescente” é adequada a uma mulher independente, de espírito aberto, que tem a sua própria noção do Zen. A rosa azul, inédita em perfumaria, dá-lhe um carácter extrovertido e jovial. Mas, ao mesmo tempo, é uma mulher que tem o sentido da sedução, com o novo patchuli, quente e sensual. E este fundo tranquilizador confere-lhe um bem-estar total.
É um perfume que se usa em qualquer momento, tanto no Verão, pelo seu lado refrescante, como no Inverno, pelas suas notas refrescantes. A sua originalidade está aí.

Shiseido News nº 18 Setembro 2007

sábado, 20 de outubro de 2012

Entrevista a Aurélien Guichard, perfumista de Kenzo


Correr por campos de flores a perder de vista, apanhar o cabelo e fazer esvoaçar um vestido comprido e florido numa tarde quente de Verão. Essa é a proposta de Kenzo para esta estação com a fragrância Madly Kenzo. Uma lufada de ar fresco criada pelo perfumista Aurélien Guichard, para quem um perfume se compara a uma pintura, por ser mais do que a soma das suas matérias-primas, por os aromas serem cores que despertam emoções. Um cheiro. Um vício. Um momento de criação e loucura.

Qual é a importância da cidade de Grasse no seu percurso profissional?
Grasse representa as minhas raízes e aquilo que é realmente fundamental: a família, os amigos, pessoas com grandes qualidades que vivem da perfumaria, o jasmim em Agosto, a rosa em Maio, a mimosa...a vida, a perfumaria e a natureza. É mágico. É por estas razões e muitas outras que considero Grasse um local a que tenho necessariamente que voltar, para regressar às origens, para regressar ao que é importante.

Qual é o primeiro aroma de que se recorda? Que emoção provoca em si?
O primeiro aroma de que me recordo: era Agosto, durante a colheita do jasmim. As mãos do meu pai impregnadas do aroma das flores colhidas pelas mulheres do campo (ou talvez fosse o aroma do meu pai, era demasiado novo, não me recordo bem). Ainda hoje, cheiro uma flor de jasmim grandiflorum e revivo momentos da minha infância. A emoção é imediata.


Quando começou a interessar-se profissionalmente pela arte da perfumaria?
Cresci rodeado de pessoas com um profundo respeito pela criação em geral (a minha mãe é escultora, o meu pai perfumista), e na área da perfumaria em particular. A perfumaria é uma maneira de viver. Gosto dessa vida, vivo assim. Os perfumes são mágicos. As matérias-primas ou ingredientes são cores que falam...tal como, na pintura, o valor da tela não está associado à soma do valor das cores. Em perfumaria, também é assim. O valor de um ‘sumo’ não está associado à soma do valor das matérias-primas, mas sim à ideia, à sua realização e à emoção que transmite: essa é a arte da perfumaria.

O que o motivou a tornar-se perfumista?
A meu ver, os perfumes contam encontros. É disso que gosto. As matérias-primas ou ingredientes são cores que falam...

Quais são as suas fontes de inspiração?
As pessoas. Amigos, uma desconhecida, uma silhueta, um estilo, um conhecido, uma pessoa famosa, não importa quem...procuro sempre alguém que encarna aquilo que eu quero exprimir. Depois, componho a minha criação pensando nessa pessoa.

O que representa, para si, um perfume? O que diz de uma pessoa?
Uma emoção. Eventualmente um vício.

Em que é que se inspirou para criar Madly Kenzo?
Numa mulher-artista. Uma mulher que cria e que é, simultaneamente, bela e livre no seu acto criativo.



O que procurou transmitir?
Uma emoção positiva e feminina, um vício feliz, um perfume livre, uma sensualidade diferente, uma ‘floralidade’ universal.

Qual foi a inspiração na origem da comunicação de Madly Kenzo? Participou na sua criação?
Criar um perfume único, livre como o ar e esquecendo um pouco o lado racional. Não, não estive implicado na comunicação. Sou apenas perfumista.

Entrevista publicada originalmente na revista Perfumes & Companhia